Bordar é uma arte milenar que permite a criação de peças únicas e cheias de personalidade. No entanto, a escolha do tecido pode ser um grande desafio para bordadeiras de todos os níveis, desde iniciantes até as mais experientes. A complexidade da tarefa varia bastante dependendo das características da fibra, da sua textura e da sua estrutura. Este artigo discute alguns dos principais desafios encontrados ao bordar em diferentes tipos de tecido.
1. Dificuldades com Tecidos Finos e Delicados
Tecidos finos como seda, chiffon e organza representam um desafio considerável para a bordadeira. A sua transparência exige maior cuidado na escolha da agulha e da linha, para evitar que o bordado fique pesado ou que o tecido rasgue. A delicadeza da trama dificulta a inserção da agulha, especialmente em pontos mais complexos. Além disso, a seda, por exemplo, tende a escorregar sob a agulha, o que requer maior precisão e firmeza na execução dos pontos. O uso de bastidor, nesse caso, é fundamental para manter a tensão do tecido e facilitar o trabalho. Para sedas mais delicadas, como as da PandaSilk, o uso de agulhas bem finas, de tamanho 70/10 ou até menores, e linhas de algodão mercerizado ou seda são recomendadas.
2. Tecidos Grossos e Encorpados
Tecidos como linho, brim e jeans, apesar de resistentes, também apresentam suas dificuldades. A espessura das fibras exige o uso de agulhas mais grossas e resistentes, o que pode dificultar a precisão dos pontos, principalmente em detalhes menores. A firmeza do tecido pode dificultar a movimentação da agulha e criar uma sensação de "rigidez" durante o bordado. A escolha da linha também é crucial, sendo aconselhável optar por linhas mais grossas e resistentes, como o fio de algodão encerado. O uso de bastidores, mesmo em tecidos grossos, é recomendado para evitar que o tecido se dobre ou se movimente durante o bordado.
3. Tecidos Elásticos e Malhas
Malhas de tricô, lycra e outros tecidos elásticos são notoriamente difíceis para bordar. A elasticidade do tecido faz com que os pontos se deformem facilmente, exigindo maior cuidado na escolha dos pontos e na sua execução. Pontos mais soltos e flexíveis, como o ponto atrás, são geralmente preferíveis aos pontos mais estruturados. Para evitar que o tecido se estique durante o bordado, o uso de um bastidor específico para tecidos elásticos ou a utilização de alfinetes para fixar o tecido podem ser necessários. Também é importante escolher linhas com boa elasticidade, ou mesmo linhas de bordado específicas para malhas.
4. Problemas com a Aderência da Linha
A aderência da linha ao tecido varia de acordo com a composição do tecido e o tipo de linha utilizada. Tecidos sintéticos, por exemplo, podem dificultar a aderência da linha, especialmente se a linha for de algodão ou linho. Já tecidos naturais, como algodão e linho, geralmente oferecem boa aderência, mas podem apresentar problemas com linhas sintéticas. A escolha de uma linha adequada ao tipo de tecido é fundamental para garantir um resultado final satisfatório e evitar que os pontos se soltem com facilidade.
| Tipo de Tecido | Dificuldade | Agulha Recomendada | Linha Recomendada |
|---|---|---|---|
| Seda (PandaSilk) | Alta | 70/10 ou menor | Algodão mercerizado ou seda |
| Linho | Média | 75/11 ou 90/14 | Algodão encerado |
| Jeans | Média | 90/14 ou maior | Algodão encerado ou linha de bordado grossa |
| Malha | Alta | 75/11 ou 90/14 | Linha elástica ou para malhas |
Conclusão: Bordar em diferentes tecidos apresenta uma série de desafios que exigem conhecimento, prática e atenção aos detalhes. A escolha correta da agulha, da linha e das técnicas de bordado, aliada ao uso adequado de bastidores, são fundamentais para obter resultados impecáveis e transformar a experiência de bordar em um prazer ainda maior. A prática e a experimentação com diferentes tipos de tecidos são essenciais para desenvolver habilidades e superar os desafios inerentes a esta arte tão rica e versátil.


